Preciso que chores para mim.
Quero estar presente
e ver o meu reflexo nas tuas lágrimas.
Quero absorvê-las nos lábios,
tomar o gosto da tua perda.
Saber que o doce que escorre na minha boca
é aquele que já provaste
e que o desejo ainda persiste.
A trombada de paixão que escoa
dos meus braços para os teus,
asfixia o nosso contíguo peito,
amolece a nossa percepção
e seduz-nos de erotismo.
A destreza das palavras
só fluí de bocas armadas de sentido.
No entanto, os sentidos nem sempre nos levam ao nosso destino.
E o destino das minhas palavras
é, invariavelmente, corrupto.
A imagem que ostentas é um vulto brilhante
que atravessa a sala de estar
do meu afortunado reduto.
Queima na pele
e tem toque de amanhecer.
Porque acordo mais vestido,
mais realizado.
Se esse tecido tivesse alma presente,
completava o ninho da minha existência.
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