sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Chuva e Vento

Se estas nuvens fossem mais baixas
Tomara poder debicá-las e saborear
Tocar tenuemente e nelas embrulhar-me
Ser seu recheio liberado e planar
Percorrer as distâncias e dissipar-me

Se depois a terra fosse mais rente
Acercava-me do seu humedecido leito
E com apenas um firme abraço
Desaguava fluidamente no ferido peito
Em pequenas gotas de embaraço

E era montanha e vale a minha alma
Dos montes bafejava o possante vento
Quebrava os mais cansados galhos
Carregava nos alentados braços o alimento
Deitando abaixo os robustos agasalhos

Ao norte alimentava a onda da imensidade
Fazia do meu paradeiro essa água salgada
Crescia e saudava as terras que acenavam
E ao cortejar a costa na minha passada
Beijava os velhos batéis que passavam

Congratulava-me os mares do sul
Chegaria enfadado de tamanha jornada
Mas após o enamorado abrigo do luar
Sei que regressaria pela quente alvorada
De volta ao azul e finalmente descansar